Rápido no ataque, frágil na defesa: como vem o Del Valle para a final

Independiente del Valle em ação pela Copa Sul-Americana
Imagem: GettyImages


Campeão da Sul-Americana em 2019, da Libertadores sub-20 em 2020 e vice da Libertadores em 2016, o Independiente del Valle, do Equador, chega à final da Sul-Americana deste ano credenciado por um projeto sólido e um retrospecto positivo.



Dos seis jogos que fez até aqui nesta edição da Sul-Americana, o Del Valle ganhou cinco e empatou um. A equipe equatoriana tem metade dos jogos que o São Paulo no torneio porque só entrou na Sul-Americana na fase oitavas de final, uma vez que foi eliminada na fase de grupos da Libertadores 2022 (foi terceira colocada na chave do Atlético-MG).

"O Del Valle financia seu projeto com a formação de jogadores. Alguns ficam pouco no time de cima, como Hincapié, que foi para o Bayer Leverkusen-ALE, William Pancho, para o Royal Antwerp-BEL, e Moisés Caicedo, do Brighton-ING. Seus donos, que têm um potencial economicamente importante, conseguem sustentar esse projeto", explicou o jornalista equatoriano Fernando Estrada, que acompanha o dia a dia do clube equatoriano.

Como os equatorianos atacam
A ideia de ter um time formador não passa só pela manutenção na captação de jogadores que possam render grana ao clube, mas também por ter um mesmo modelo de jogo que segue os mesmos princípios: construção de jogo, posse de bola, protagonismo e velocidade.

"É uma equipe que domina todas as fases do jogo, as transições ofensivas e defensivas. Os jogadores mudam de posição e de função constantemente. Gaibor e Faravelli são fundamentais para o funcionamento da equipe. São opção de passe ou abrem espaço para os companheiros. O trio de zaga permite superioridade numérica para ter uma saída de bola limpa. Podem tanto conduzir a bola como achar passes para quebrar as linhas de marcação adversária", explicou Federico Bocchio, jornalista e analista tático da Football Data Agency, empresa de análise de dados que vende serviços para clubes, ligas e empresas.

Quando ataca, o Del Valle libera os alas para se transformarem em pontas. É um time que constrói seu jogo da defesa para o ataque, com os três zagueiros e usando o goleiro Ramírez para manter a posse de bola na hora de atrair o rival, mas também buscando os espaços deixados pelos adversários.

"Ramírez é um garoto jovem, esteve na Espanha, no Valladolid, faz parte da seleção equatoriana, vai ao Mundial. Faravelli é a chave no meio de campo, todas as bolas passam por ele. Ali nasce o futebol do Independiente. O ala Chavez é muito interessante. Rápido, com bom chute, fez um golaço contra a LDU recentemente. Sornoza é um dos mais importantes do time. Vocês o conhecem no Brasil. Lautaro Díaz é uma pequena joia que o Independiente encontrou com seu departamento de scouting, fazendo muito bem as coisas, é o artilheiro da Sul-Americana. E tem ainda o Angulo, que parte para cima, tem muita qualidade", analisou Fernando Estrada.

Na hora de armar as jogadas, o Del Valle leva seus jogadores para um lado do campo para aproveitar a liberdade deixada do lado contrário, fazer a inversão de jogo e explorar o um contra um, especialmente com Chavez e Angulo. Lautaro Díaz, que se machucou no último final de semana e virou dúvida, tomou o lugar de Baumann no comando de ataque e deu mais mobilidade para o time.

No campo de ataque, tenta formar linhas de passe através de triangulações e chegar ao gol rival, especialmente pelos lados do campo.

E a defesa?
Na hora de defender, o técnico Martín Anselmi retrai os alas e forma um 5-3-2. Assim, tenta fechar todos os espaços para o time adversário entrar na sua área. "Os zagueiros estão acostumados a defender em espaço amplo e campo aberto", explica o analista Federico Bocchio.

Essa situação acontece quando o time sai para pressionar a posse de bola do time adversário. Ao mesmo tempo que força os erros dos adversários, também abre espaço nas costas da zaga, que pode ser explorado através de contra-ataques.

"Na maior parte do jogo, o Del Valle defende em bloco médio, onde se sente cômodo para roubar bolas, se proteger das bolas longas e pressionar os jogadores adversários que recebem a bola. Na intermediária é onde a equipe mais recupera a posse", afirma Bocchio.

Saída para o São Paulo
Rogério Ceni encontrou a formação para a final contra o Del Valle. As duas linhas de quatro jogadores, com a dobra de jogadores pelos lados do campo e a maior liberdade para Rodrigo Nestor deverá ser usada na decisão.

E o fato de ter um time de posse de bola pode dar ao Tricolor vantagem justamente por conta das características dos jogadores tricolores.

"O São Paulo vai para ser o protagonista, para dominar o jogo. Mesmo que não tenha jogadores que driblam, o São Paulo tem jogadores que finalizam bem, de média distância, e que também são capazes de tabelar para conseguir infiltrações", destaca o treinador Tobías Kohan.

No ano passado, enquanto Hernán Crespo comandou o São Paulo, Kohan trabalhou no clube brasileiro como assistente do argentino, e esteve presente na conquista do Paulistão.

"São Paulo tem capacidade associativa dos seus jogadores para resolver em pouco tempo e pouco espaço com a maior eficácia possível. E são muitos jogadores que o São Paulo tem que fazem a diferença. Nestor é um volante com uma criatividade enorme. Igor Gomes, que tem um dinamismo muito grande. Patrick é um meia que chega muito ao gol, com muita potência e chutes de fora. Luciano tem uma qualidade com a canhota que é impressionante e tem o faro goleador. Os laterais chegam e vão bem nos cruzamentos. Será uma partida muito interessante no aspecto tático. Propostas atrativas e ofensivas", destacou Kohan.

Apesar de ser muito forte quando ataca no espaço vazio, Kohan acredita que o São Paulo é capaz de anular o ponto forte da equipe equatoriana.



"As equipes equatorianas tradicionalmente têm jogadores muito velozes pelas pontas. E dribladores. Não creio que o Del Valle tenha vantagem por causa disso. O São Paulo tem laterais de muita experiência, seja o Reinaldo, ou o Welington, que é jovem mas já jogou muitas partidas importantes, e que podem defender muito bem contra esses extremos. No Brasileirão já estão acostumados, porque toda equipe brasileira tem jogadores rápidos pelas pontas. Não é algo novo, é algo que já sabem resolver porque enfrentam esse tipo de situação a cada final de semana no Brasileirão", finalizou Kohan.



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O São Paulo enfrenta o Independiente del Valle, do Equador, no sábado, 1º de outubro, às 17h (de Brasília), em Córdoba, na Argentina. O Tricolor vai em busca de seu segundo título na competição, já que foi campeão em 2012.

Rápido, ataque, frágil, defesa, Del Valle, final

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Comentários (4)

29/09/2022 10:59:34 durval pereira

ENTÃO PURIFIKATON, É MAIS UMA VANTAGEM BOA!

29/09/2022 10:30:24 Celso Fonseca

Espero que i RC leia esta materia e fique esperto e arme o time com inteligência e não invente jogo

29/09/2022 10:02:25 purifikation

O São Paulo tem uma vantagem que ninguém fala, o Del Valle joga na altitude e o jogo na Argentina não é na Altitude. Normalmente esses times perdem muito em desempenho por isso.

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