Após anos de glórias e exemplo para os outros times do Brasil, o São Paulo parou no tempo. Não quis se reciclar e viu seus grandes adversários se igualaram e, em alguns casos, até o superarem nos torneios, nas contratações e na política. O MARCA BRASIL foi atrás do mercado para ouvir a opinião dos especialistas sobre o Tricolor. E a constatação é a mesma: o clube necessita de um novo modelo de gestão para voltar a vencer.
“É sempre duro falar dos outros. Mas o São Paulo sempre foi exemplo que os outros queriam ser. Adotou um modelo de gestão interessante e vencedor e os rivais, com o tempo, copiaram. Quando eu trabalhei no Palmeiras, na época da Parmalat (no início dos anos 90), eu tinha como meta ser igual ao São Paulo para depois ultrapassá-lo. Isso é coisa de mercado”, ressalta José Carlos Brunoro, proprietário da Brunoro Sport Business. “Muita gente aprendeu com o São Paulo e, hoje, adotaram mecanismos para poder superá-lo. Por isso, o clube tem que se realinhar e, com a estrutura e seriedade que tem, retomarão o caminho rapidamente.”

Porém, ainda assim com mais erros que acertos nos últimos anos, a diretoria do São Paulo é eximida de culpa pelos analistas. Para eles, o modelo de gestão difundido pelos tricolores serviu como exemplo e parâmetro para os rivais que, após anos e anos de ostracismo, como os casos de Flamengo, Fluminense e Corinthians, conseguiram reverter o quadro, aprenderam um pouco com o time do Morumbi e, por isso, chegaram às glórias, tanto que são os últimos três campeões nacionais, respectivamente.
“Os outros clubes estão se profissionalizando e vejo uma questão: quando se está muito acima dos demais, você passa a ser uma referência para os demais e eles querem chegar a este modelo vencedor. Quem sou eu pra criticar o clube? Não vivo o dia a dia da instituição, mas é um processo de amadurecimento e acredito que foi mais acerto dos outros que um erro do São Paulo. Aprenderam a fazer boa gestão, bons contratos, captar mais patrocínios e isso é um processo de crescimento”, avalia Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios.
O presidente Juvenal Juvêncio e seus pares, o vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes, e o diretor de futebol, Adalberto Baptista, foram procurados pela reportagem, mas não atenderam as ligações.
“Acho preocupante se eles não fizerem um reestudo das coisas como tem que agir. Se conseguirem se realinhar rapidamente conseguirão retomar a competitividade. Mas se acharem que só porque deu certo este modelo por alguns anos e manterem, é muito arriscado”, comenta o dono da Brunoro Sport Business.
