Com a volta de Crespo, São Paulo tenta frear o carrossel de técnicos e reencontrar estabilidade

São Paulo aposta no retorno de Crespo para frear crise e buscar estabilidade em meio ao alto índice de troca de técnicos no Brasileirão 2025.

O Campeonato Brasileiro de 2025 não deu trégua aos técnicos. Em pouco mais de três meses de competição, o país já viu doze mudanças no comando de clubes da Série A — um número que expõe, mais uma vez, o desgaste da cultura resultadista que impera no futebol nacional. O São Paulo, em crise dentro e fora de campo, engrossou a estatística. E, ao contrário do que muitos esperavam, apostou no retorno de um velho conhecido: Hernán Crespo.
A escolha da diretoria tricolor não veio por acaso. Internamente, o nome do argentino sempre teve boa aceitação, mas desta vez os fatores se alinharam: ele estava livre no mercado, conhecia o clube e contava com a simpatia da torcida. Nos bastidores, prognosticos futebol davam conta de que sua volta seria bem recebida até mesmo por parte do elenco. O acerto foi rápido — e estratégico.
Crise técnica e saída anunciada
A demissão de Luis Zubeldía, confirmada em 16 de junho, foi tratada com naturalidade no Morumbi. O treinador vinha acumulando maus resultados e, após a derrota por 3 a 1 para o Vasco, colocou o cargo à disposição — eram apenas duas vitórias em 12 jogos no Brasileirão. Com o time na parte inferior da tabela, a pressão aumentou, e a diretoria resolveu reagir.
Mais do que trocar o nome na prancheta, a cúpula são-paulina buscava um perfil que unisse experiência, identificação com o clube e disponibilidade imediata. Hernán Crespo preenchia todos esses requisitos.
Lembrança viva de 2021
A passagem anterior de Crespo pelo São Paulo ainda está fresca na memória dos torcedores. Em 2021, ele comandou o time na conquista do Campeonato Paulista, encerrando um jejum de oito anos sem títulos. Com um estilo ofensivo, preferência por linha de três zagueiros e discurso motivador, caiu nas graças da torcida. Saiu de forma respeitosa meses depois, quando os resultados começaram a oscilar.
Diferentemente de técnicos que saem em meio a polêmicas, Crespo deixou portas abertas. O respeito mútuo entre clube e treinador foi determinante para que, agora, as negociações fluíssem com facilidade.
Acerto e dívida quitada
Um ponto delicado do retorno de Crespo era uma dívida de cerca de R$ 3 milhões referente à sua rescisão contratual anterior, levada à Fifa. A diretoria decidiu incorporar esse valor no novo contrato, encerrando a pendência judicial e garantindo um começo “limpo”. O vínculo atual vai até dezembro de 2026, e o treinador já assumiu o comando com status de peça central no projeto de reconstrução.
Crespo chegou a São Paulo no dia 18 de junho e foi apresentado oficialmente no CT da Barra Funda. No mesmo dia, já comandou um treino com elenco reduzido — alguns jogadores estavam fora por lesão, como Lucas Moura, e outros em transição física.
Novo Crespo, velhos desafios
A versão 2025 de Hernán Crespo chega com visual mais sóbrio e discurso contido. Em sua coletiva, ele falou sobre amadurecimento, citou Carlo Ancelotti como referência, disse querer ser “humano no trato com o elenco” e afirmou que seu papel é “reconstruir a confiança e a intensidade”.
Mas os problemas são conhecidos — e continuam: o São Paulo segue vivo na Copa do Brasil, classificado para as oitavas e com confronto definido contra o Athletico‑PR com jogos em 31/07 (Morumbi) e 06/08 (Arena da Baixada). Na Libertadores, também está classificado às oitavas, enfrentando o Atlético Nacional, com ida entre 13 e 14 de agosto e volta entre 20 e 21.
No Brasileirão, ocupa a 14ª colocação com 12 pontos em 12 jogos — apenas 1 ponto acima da zona de rebaixamento. O ataque ainda não engrenou, a defesa segue vulnerável e a pressão por resultados é imediata.
Reforços, torcida e elenco em xeque
Alguns nomes chamam a atenção no elenco tricolor. O chileno Gonzalo Tapia, contratado como aposta para o ataque, ainda não estreou com regularidade. O experiente Lucas Moura, por sua vez, segue como incógnita física. Além disso, a diretoria estuda a chegada de reforços pontuais, mas o orçamento curto impõe limites.
Por outro lado, Crespo conta com um trunfo valioso: o apoio da arquibancada. Sua volta foi amplamente celebrada nas redes sociais e nos arredores do Morumbi. Na primeira partida após seu retorno, o público ultrapassou 45 mil torcedores, que entoaram seu nome durante os 90 minutos. Em um clube pressionado, essa conexão com a torcida pode ser determinante.
Contra a maré do imediatismo
A aposta no retorno de um técnico com perfil conhecido e contrato até o fim de 2026 vai na contramão do que tem se visto na Série A. Clubes como Corinthians, Internacional, Vasco e Cruzeiro já trocaram de técnico duas vezes no ano. A média de permanência no cargo caiu para menos de seis meses — uma marca que evidencia o colapso dos projetos de longo prazo no futebol brasileiro.
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