[SPFC.Net] Terreno do Morumbi, orgulho Tricolor. História e fatos - por Peixoto
publicidade

[SPFC.Net] Terreno do Morumbi, orgulho Tricolor. História e fatos - por Peixoto

0 0 0
Antes de desenvolver o restante do texto é importante deixar claro no início: se o clube deve algo, que pague. O terreno do Morumbi tem sido alvo de acusações — algumas levianas — de ser público, roubado, etc. No decorrer da matéria essa conclusão distorcida será derrubada. O que não deve acontecer é a rivalidade e jocosidade, ou intere$$es, nortear alguns precipitados e até autoridades ineptas, no objetivo de distrair atenção sobre os escandalosos desvios de recursos públicos para outras entidades esportivas e autoridades corruptas.

Há 55 anos foi inaugurado o Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Um gigante de concreto, que nasceu em meio ao então desértico distrito do Morumbi. O tempo passou, e hoje o estádio está incrustado numa das regiões mais valorizadas da capital paulista. Mas não foi fácil.

O São Paulo possuía um grande time, conquistas expressivas na década de 40 e o Canindé, que havia sido recentemente comprado. A finalidade da então diretoria era transformar o Tricolor, além de forte dentro de campo, em um grande clube estruturado. Em 1942, com a compra do Canindé, o sonho do grande estádio chegou a ser passado para o papel, num anteprojeto, mas foi atrapalhado pela Prefeitura. O traçado da Marginal Tietê cortaria o terreno do São Paulo e o estudo teve que ser abandonado.



Alguns políticos lutaram para atrapalhar os planos tricolores para a nova casa. Aventou-se a ideia de trocar o Canindé por uma área maior, no Ibirapuera, mesmo local do atual Parque do Ibirapuera. Mas o vereador corintiano Jânio Quadros liderou uma campanha contrária e a Câmara Municipal não aprovou, mesmo sendo uma região pantanosa e inutilizada. A negativa final veio do prefeito Armando de Arruda Pereira.

Os dirigentes do São Paulo percorreram a cidade em busca de uma área compatível com suas ambições. Foi verificado que havia um terreno à margem do rio Pinheiros pertencente à Light (antiga empresa de fornecimento de energia elétrica da capital de SP e parte do interior). Entretanto, o terreno de 45.000 m² era pequeno para o maior estádio particular do mundo.

Enquanto isso, a condessa Mariângela Matarazzo e outros proprietários se desfaziam de um grande lote de terras da família Matarazzo na região do Morumbi. Em 1950, mudanças na forma de taxar propriedades urbanas municipais pressionaram Mariângela Matarazzo a doar extensões de suas terras. A Imobiliária Aricanduva adquiriu a área em 7 de fevereiro de 1951 e, de pronto, planejou seu loteamento comercial.



O sonho não parou. O clube se organizou e criou a Comissão Pró-Estádio em 15 de maio de 1952, presidida por Cícero Pompeu de Toledo. Com isso acontecia uma divisão administrativa no SPFC, uma que cuidaria do clube e outra da obra do estádio para não haver conflitos financeiros. O grupo de trabalho prosseguiu com os projetos.

Em 04 de agosto de 1952, o São Paulo conseguiu junto a Imobiliária Aricanduva um terreno de 99.873m² para a construção do estádio. Lembrando: ninguém joga dinheiro ou bens fora. A imobiliária possuía interesses econômicos para desenvolver a região, em loteamentos, além da exploração de cadeiras cativas no futuro estádio — ação desempenhada também pelo Bradesco. Transação lícita, registrada em cartório, apoiada pelo Departamento de Urbanismo e aprovada pela Prefeitura de São Paulo a quem interessava desenvolver o crescimento da cidade.

Nessa área adquirida estava prevista, de acordo com o projeto de original da Aricanduva, uma praça pública. Para a construção do estádio foi preciso, então, a anuência da prefeitura sobre a questão. A lei nacional nº 58 de 1937, que regulamentava loteamentos particulares, afirmava que cabia à Prefeitura somente a aprovação dos lotes, conforme planejamento do dono das terras. Até a publicação do Decreto-Lei 271 de 1967 e o Artigo 22 da Lei 6.766 de 1979, nenhum terreno destinado às vias ou praças públicas era de propriedade do Município. Ou seja, a área do Morumbi, com escritura de 1952, nunca foi um terreno público. E a concordância do poder municipal foi obtida, conforme pesquisa do jornalista e historiador Michael Serra na Prefeitura de São Paulo.

A doação do terreno foi feita na gestão do governador Lucas Nogueira Garcez (mandato de 01/1951 a 01/1955). O presidente da Imobiliária e Construtora Aricanduva S/A era João Jorge Saad, dono e fundador da Rádio Bandeirantes e genro de Adhemar de Barros. Foi João Jorge Saad quem assinou o documento de doação ao clube.

Para a Prefeitura aprovar, o São Paulo cedeu parte do então seu terreno no atual Canindé — sede e primeiro CT do São Paulo — para a retificação do rio Tietê e pavimentação da Marginal Tietê. Foram as condições da época em acordo oficial com a Prefeitura na figura prefeito do Armando de Arruda Pereira. Imediatamente, o Tricolor lançou a pedra fundamental do estádio, mesmo ainda sem projeto de construção definido.



A polêmica

Alguns acusadores levianos, e até autoridades equivocadas, dizem que o terreno do Morumbi seria público. Não procede. O clube já derrubou a tese na justiça algumas vezes, e o assunto prescreveu por Lei. Não há nenhuma possibilidade de o São Paulo perder algum metro quadrado de seu patrimônio na Justiça, Prefeitura ou MP.

A alegação inverídica é de que parte do terreno do Morumbi deveria ser praça ou parque infantil. A lei até daria razão em outro artigo — o código de obras da época, em seu art. 733, dizia que o loteamento deveria ter 10% de espaços livres (praças, jardins, etc.), de domínio público. Sim, seria no terreno Tricolor, mas não quer dizer que o loteamento ficou sem a praça “tão almejada”.

O espaço destinado foi deslocado para mais próximo do palácio do governo — a Praça Vinícius de Morais, que possui 80.000 metros quadrados — a 600 metros do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Aliás, uma busca no Google mostra a quantidade de áreas livres existentes em frente ao Estádio. E há mais duas praças — a Santos Coimbra e a Crepúsculo — na mesma área e distância. Ou seja, o loteamento da região possui mais de 200.000 metros quadrados de praças e parques com equipamentos, inclusive infantis.



É evidente: se a prefeitura autorizasse alterações no empreendimento, ficaria a cargo dela provisionar as obras necessárias. "Isto porque, ao promover o loteamento da área e solicitar o respectivo alvará, já está comprometida a Aricanduva com a Prefeitura Municipal e, deste modo, qualquer modificação no plano geral, seria de competência exclusiva da Prefeitura” — trecho retirado do blog da associação de moradores incomodados.

Portanto, se o terreno particular de mais de dois milhões de metros quadrados era da Imobiliária e a Lei indicava que a empresa deveria dedicar 10% de todo o seu terreno para a construção de uma praça ou parque público, logo, a questão e o cumprimento da lei deveriam ter sido executados pela Imobiliária Aricanduva ou Prefeitura, não pelo São Paulo. E foi assim.

Mais além. Os artigos 179 e 177 do Código Civil de 1916 (aplicável à época) informam que a prescrição da exigência ocorreria dentro de 20 anos. Portanto, o São Paulo nada deve e não tem a função de cumprir o dever do Poder Público ou da antiga Construtora e Imobiliária Aricanduva para promover entretenimento público e gratuito à população.

Contudo, devendo ou não, o clube tem concedido contrapartidas para a região. A varrição das ruas, que circundam o Morumbi, e a manutenção da Praça Roberto Gomes Pedrosa, são integralmente assumidas pelo clube. O Morumbi é utilizado, por contrato, em acordos com a comunidade de Paraisópolis. Há parcerias para a comunidade fazer uso da pista de atletismo e instalações da academia do Estádio. Sem contar o convênio Escola do Povo, mantido pelo São Paulo.

Quem foi o maior beneficiado da construção do estádio na década de 50? O São Paulo ou a região? O Clube ou os proprietários de imóveis vizinhos? A própria Prefeitura aprovou através da escritura assinada por ela. em cartório. Infelizmente, a população gosta de estádio no começo, mas, depois que se enche de casas em volta, não quer mais. Quem chegou primeiro?



Em tempo. O terreno total do clube, no Morumbi, soma 150.000 metros quadrados – 2/3 foram comprados. O São Paulo paga o IPTU de toda a área, ao contrário de outras instituições esportivas que não honram seus compromissos com o município e foram beneficiadas mais do que qualquer outra. Um clube rival da cidade ganhou dois terrenos para centros de treinamento. O outro ganhou terreno total para estádio onde seria uma Cohab, tomou avenida da prefeitura e ganhou dois terrenos para centro de treinamento. Não pagam IPTU há sete anos e são verdadeiros latifundiários de terras públicas na cidade de São Paulo.
O Morumbi levou 18 anos para ser construído, porque não teve dinheiro público e governo. Os dois estádios que abriram copa do mundo no Brasil, em 1950 e 2014, levaram 03 anos para serem construídos porque tiveram dinheiro público e governo.

Wender Peixoto

Twitter: @peixotowender

VEJA: Primeiro a chegar e último a sair, Volpi tem rotina similar a Ceni no SPFC


LEIA TAMBÉM: São Paulo estuda a contratação do atacante argentino Juan Dinenno


SPFC ÚLTIMAS NOTÍCIAS: CALLERI DE VOLTA?; LESIONADOS;HOMENAGEM PARA O MITO E CASO SIDÃO - LAYLA REIS








Avalie esta notícia: 237 6

Comentários (38)

04/05/2016 11:15:23 PHDL

Cada vez mais me convenço que o Malandrés Sanchez, via teorias comunistas de Lênin, Stálin, Karl Marx, as adptou pro futebol e vem protegendo o Curintxia e querendo desmoralizar o SPFC.
Desde 2009, depois do TRI-HEXA são diversas estratégias:

- Pagavam Diretores da base pra passarem informações de bons jogadores. Levaram Oscar;
- Imprensa elogiando, e não vazando informações do Curintxia e com o SPFC o contrário;
- Vereador Toninho Paiva (corintinao e petista) comandando a devolução do CT Barra Funda em 2026, sendo que o Palmeiras é vizinho é poderá ficar até 2090??!?!
- Rede Globo pagando muito mais pro rival lixo, desde aquela data;
- ONGs do Morumbi com ações proibindo o Morumbi ser shopping, contra barulho, etc...desde 2009;
- Prefeitura entrando com ação...
Enfim, muitas semelhanças da luta do time do "povo" contra o time "da elite". Compra de veículos de informação; infiltração de curintianos/petistas no clube, na imprensa, no governo....e por aí vai!!!
SÃO PAULINOS MANDAMOS ESSAS RAÇAS PRA PQP

03/05/2016 21:21:25 IgorSPFCTricolor

Tanta inveja da nossa história só nos faz pensar quão grande e incômodo é o nosso São Paulo

03/05/2016 19:14:40 Kennyns

O nosso tricolor luta contra os times adversários, contra arbitragem, contra as federações, e ainda contra o governo, isso mostra como todos tem inveja do nosso São Paulo Futebol Clube!

03/05/2016 14:56:16 JardelSantos

#oMorumbiNãoéLavaJato

03/05/2016 12:31:21 nogramos

Wender, parabéns pelo texto.
Me ajuda numa coisa?
Até onde sei, e pesquisei na internet, os clubes e associações são isentos de IPTU.
Porquê não é o caso do Sâo Paulo?
Consegue publicar comprovantes de pagamento??
Obrigado, um abraço.

03/05/2016 09:51:45 Gerrard_Hates_Rogerio

Texto extremamente bem elaborado. Lados da história em que a mídia resolver omitir foram "passados a limpo", construído com um conhecimento raro ou um trabalho de pesquisa exemplar. Minhas congratulações.

E o Morumbi é da nação tricolor!! #ElMorumbiTeMata

03/05/2016 09:43:30 edilsondesantana

Só aquela foto com o Morumbi em construção e nada em volta mostra que quem veio depois não tem o que reclamar, se aquela área se desenvolveu e se valorizou foi graças ao São Paulo e ao Morumbi ,os incomodados que se mudem

03/05/2016 09:42:25 AndréR

Parabéns pela matéria...
Essa situação (propositura da ação contra o SPFC) é de fácil explicação: Eleições municipais esse ano.. alguém está querendo aparecer na mídia...

03/05/2016 08:13:14 Paulão-Desmaio

Uma verdadeira aula de história esse texto, esse conteúdo por si só já é o bastante para comprovar que o Morumbi sempre foi e sempre será nosso.

03/05/2016 00:39:00 1983SPFC

Não vão pegar o estádio. No máximo, podem questionar a falta do parquinho, mesmo assim, dá para derrubar.

O procurador deve ser irmão do clebinho e quer aparecer.

Deveriam soltar o endereço desse cara para a Independente tirar umas dúvidas com ele e a família dele.

02/05/2016 23:52:29 Claudio72

Queria deixar um PARABÉNS SUPER MERECIDO ao autor do post!
Muito bem argumentado com FATOS!

Ou seja, como eu pensava antes de ler, TUDO ISSO É UMA VERDADEIRA PIADA DE MAU GOSTO!

PROCURADOR DA PREFEITURA: QUER FAZER PRACINHA LÁ??? TÁ CHEIO DE BURGUEZÃO EM VOLTA, VAI ENCHER O SACO DELES, E DEIXA O SÃO PAULO PAZ!!!

02/05/2016 22:50:51 Tiago6-3-3-2

É NOSSO TÁ PAGO E NINGUEM VAI TIRA

MORUMBI E SÃO PAULO É HISTÓRIA,TITULOS TRADIÇÃO
TERROR DOS RIVAIS NOSSA SEGUNDA CASA

02/05/2016 22:27:05 fabuloso93

Texto perfeito, com imagens raras. Realmente nosso orgulho, tá pago! o resto é choro e inveja dos rivais. Se for um sonho que seja grande

02/05/2016 22:25:11 Tuor

Parabéns pela matéria Peixoto...

Só posso agradecer porque já estava preocupado... afinal essa gente já aprontou na questão da renovação da concessão do CT barra Funda (mas concedeu pro Palmeiras até 2070)... então eu estava pensando que agora eles atacam o Morumbi com essa lenga-lenga só pra prejudicar o Tricolor...

Valeu... Não vejo a hora desse pessoal largar o osso e deixar o Brasil (e o SPFC) em paz...

02/05/2016 22:11:09 jaxteller

Ve se a band ou a globo faiz materias assim pra nois. Mais para os travecos eles fazem lembro quando tava construindo o ninho das gaivotas deles toda semana a band mostrava uma materia falando que não tinha dinheiro publico.

02/05/2016 21:55:50 gled

Parabéns amigo Peixoto, gigantesta pesquisa e análise bem embasada, perfeito.

Abraços

02/05/2016 21:37:16 Quissama

Como sempre o que estraga o Brasil são os políticos.. Que acham q o Brasil é deles e fazem o que quiser!


Fico Bobo que ainda tem torcedores rivais que ficam felizes com essa atitude de um fdp de um político que ao invés de realmente lutar pelo povo, fica fazendo graças pra aparecer!

Enquanto isso muitos estão felizes com o dinheiro público dado ao travecão... Os corintianos deveriam sentir vergonha disso.. Andam por uma Cidade com vários problemas sociais mas aceitaram a verba pública pra construção de estádio...

Muitos seres humanos tem uns valores ridículos..

02/05/2016 21:35:58 Rafaelspfcms

É nosso e pronto!

02/05/2016 21:35:37 PoderosoSatanGoss

Uma coisa não entendo.
Por que alguns cúrintianus e palmeirenses relacionam Laudo Natel com a contrução do Morumbi, se o estadio foi construido na decada de 50 e ele foi governador no final da decada de 60?

02/05/2016 21:34:11 bwarrior2

Excelente Peixoto!
Tem gayvota negativando, pura inveja!

02/05/2016 21:33:43 Torres9

Muito bom o texto com esclarecimentos, no Uol tendencioso não cita os dois lados com tantos detalhes.
1. Se o estádio está na região há tempos, o cidadão incomodado que venda usa mansao e vai morar em Itaquera.
2. Procuradores precisam de comprovações mais detalhadas para mover ações, se qualquer um puder mover ações públicas contra instituições vai banalizar a justiça, ainda mais porque entre clubes ações judiciais são mais paixões do que justiça.
3. Depois de 60 anos reverem uma condição que já foi resolvida é deprimente. É o mesmo que mover uma ação contra a Alemanha hj pq me senti prejudicado pela segunda guerra. As leis mudam e a interpretação delas tbm.

02/05/2016 21:11:39 powerful_Spfc

Você(s)acham que o SPFC pode perder na justiça?Caso perca,o que pode acontecer?Há risco de perder o terreno e, consequentemente o estádio?Desde já agradeço se alguém puder responder.

02/05/2016 21:01:02 yendur

Meus parabens pelo texto,e para os que negativavaram,um chupa,pois isso prova que tem gayvotas no site.....

02/05/2016 20:59:59 VictorM12

Perfeito como sempre Peixoto! O Morumbi é nosso!

02/05/2016 20:56:29 1dos221

Perfeito !!!

02/05/2016 20:54:53 Sampearth

Um texto como este, com esta objetividade, informação, clareza e utilidade, é raro por aqui.
Parabéns ao autor, este é um assunto sério, e que interessa, ou deveria interessar, todo torcedor do São Paulo.
E fica demonstrado, de maneira cabal, que o clube é o legítimo proprietário do terreno do Estadio e de sua sede social, e a Justiça, a qualquer tempo e em qualquer instância ou alegação, em face dos mesmos fundamentos jurídicos aqui expostos, o clube tem como afastar qualquer aventura judicial que busque contestar sua legítima propriedade.

Enviar Comentário

Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui.