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Capitão Rogério Ceni relembra sua infância

Goleiro fala sobre lembranças de quando era criança e revela que a bola de futebol foi o presente que o deixou mais feliz

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Considerado exemplo de profissionalismo no São Paulo, o goleiro Rogério Ceni vive um dia diferente neste domingo. Ao lado das filhas Clara e Beatriz, de três anos, o capitão tricolor garante que, no Dia das Crianças, retorna à infância.

Veja a entrevista que o camisa 1 concedeu ao LANCENET! contando sobre a época que jogar futebol, para ele, era apenas brincadeira.

L!NET: Quando se fala na sua infância, qual a primeira lembrança que vem na sua cabeça?
Lembro que, aos dois anos, ganhei uma bola de presente. Era meu aniversário. Eu estava emburrado, não sei porque, meus pais contavam. Na foto, seguro a bola festejando. Ganhei um monte de presentes, mas o que me deixou feliz foi a bola. Aos quatro, comecei a jogar tênis, a raquete era quase do meu tamanho.

L!NET: Era uma criança emburrada?
Não, sempre fui alegre. Nunca tive motivos para ser emburrado. Eu lembro também que, aos seis, sete anos, jogava futebol no apartamento com meu pai. Tirávamos os móveis, puxava o tapete, ele chutava e eu defendia.

L!NET: Morou sempre no interior?
Fui morar em Sinop (MT) aos 12 anos. Antes, morei dois anos em Curitiba e dez em Pato Branco (PR). A época era diferente, a infância era muito mais legal, havia liberdade para brincar na rua, jogar futebol com os amigos, os pais não se preocupavam tanto, as pessoas confiavam nas outras. Não tinha computador, essas coisas que prendem atenção.

L!NET: Gostava de ficar na rua até tarde? Até os pais irem buscar?
Ih, quantas vezes... Estudava num colégio em frente à minha casa, muitas vezes minha mãe me trazia pela orelha. Aí, apanhava em casa. Sabe aqueles pés de chorão? No interior se chamava chorão. Minha mãe cortava as varinhas e me batia com aquilo. Ficava até tarde jogando bola. Antes de chegar, eu quebrava as varinhas, sabia onde ela escondia.

L!NET: Melhor brincadeira: futebol?
Ah, era. Havia um gramado em casa, a gente botava duas travinhas e o pau comia.

L!NET: E o que gostava de comer?
Naquela época era tudo tão diferente. Hoje, a gente tem uma condição, a vida diferente, tem chance de tomar suco, refrigerante todo dia. Uma das coisas de que me lembro é que tinha Coca-Cola só no domingo. Comprava uma daquelas garrafas de vidro, era uma festa. A mãe fazia almoço, macarronada.

L!NET: Houve namorada de infância?
Não me lembro de namoradas, mas gostava de uma professora quando morava em Curitiba (risos). Rapaz, ela era linda! Eu tinha seis anos, foi em 1979, fazia o pré em Curitiba. Não consigo me lembrar do nome dela, mas adorava.

L!NET: A infância de suas filhas (Clara e Beatriz, que completam quatro anos em dezembro) é diferente. O que faz para evitar que elas não sofram com o progresso de hoje?
Elas vivem na maior cidade do país, eu vivia numa cidade pequena. Acho que a educação é primordial: ensinar o que pode, o que não pode. Minha esposa sempre cobra isso, coisas básicas que, às vezes, esquecem de ensinar aos filhos. Quando os pais se interessam pela educação, há proximidade, há uma chance maior de mudar um pouco o que tem sido estabelecido como regra pela sociedade.

L!NET: Aos 35 anos, em que momento do dia você vira criança?
Quando estou com minhas filhas. Quando não há treino, o CT fecha, trago elas aqui para brincar. Com elas, estou sempre brincando, tanto que gostam do pai, apesar de verem menos. Chego em casa e faço bagunça. A mãe poda um pouco, o pai bagunça!

L!NET: Notamos o fascínio das crianças por você. Por que isso?
A criança tem a gente como um personagem. Já aconteceu da criança encostar em mim e o pai dizer: "Pode tocar que ele é de verdade". E a longevidade dentro do clube cria identificação, torna um personagem de história infantil para a criança.

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