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Com "patrão" Ceni, são-paulino tenta se firmar

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Que a maioria dos jogadores de futebol sonha em jogar na Europa não é nenhuma novidade, mas poucos sabem das dificuldades de adaptação no novo país, como com clima, comida, língua e locomoção. Exemplo disso é André Lima, hoje no São Paulo. O atacante trocou o Botafogo pelo Hertha Berlin, da Alemanha, em agosto de 2007, e, menos de um ano depois, em junho de 2008, já estava de volta, agora defendendo as cores do time do Morumbi.

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Como bom carioca, apaixonado pelo sol e pela praia, André sentiu saudades da terra natal. Em entrevista exclusiva ao Terra, o atacante confessou que teve muitos problemas em território alemão, como a adaptação ao clima germânico.

"É complicado. Ainda tenho o sonho de ir para a Europa, mas tem um problema. Sou carioca. Quando eu cheguei lá, estava acabando o verão ou começando o inverno. Minha mulher estava grávida. Tudo que você pode imaginar de ruim eu peguei, inclusive -20ºC", admitiu o atacante, que hoje se sente em casa no time tricolor, tanto que chama o capitão Rogério Ceni de "patrão".

"Gosto muito dele. É um cara sincero, um líder. É uma marca do São Paulo. Não tenho nada a reclamar dele, mas sim agradecer. Eu já chamo ele de patrão, mas presidente eu não sei", brincou.

Com 23 anos nas costas e duas filhas, André Lima não resistiu e voltou ao Brasil, mas afirmou que não se arrepende de nada que fez. Muito pelo contrário. Ele elogiou a estrutura do Hertha e admitiu que o grande motivo de seu retorno ao País foi a filha mais nova, então recém-nascida.

"A cidade é maravilhosa, mas você quer sair e não pode porque não fala a língua. Você não sabe andar de carro na cidade, então você vive no hotel. Fiquei três meses em um hotel, com minha mulher grávida e minha filha. Ela queria brincar e você não sabe onde levar. Muitas coisas se juntaram e quando você pensa que está acertando, ficava pior", lembrou.

Momentos ruins à parte, André quer aproveitar seu retorno ao Brasil para se firmar no São Paulo. Com uma estréia arrasadora na equipe tricolor, em 3 de agosto deste ano, quando marcou duas vezes na goleada por 4 a 0 sobre o Vasco, no Morumbi, o jogador confessou que está completamente apaixonado pela cidade e pelo clube paulista.

Emprestado pelo Hertha ao time da capital até o meio do ano que vem, André Lima não pensa em voltar tão cedo para a gélida Berlim. Ele, inclusive, admitiu que gostaria que o São Paulo o comprasse em definitivo.

"Quero que o São Paulo me compre, de coração. Sei que é complicado. É difícil o São Paulo comprar um jogador, ainda mais pagando em euro. Mas confesso que peguei uma paixão muito grande apesar de não ser uma cidade de praia, mas temos uma piscina aqui e posso ir até Santos", brincou.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Você teve estréias meteóricas no São Paulo e no Botafogo. A que se deve isso?
André Lima - Tenho um jeito de pensar de que a primeira impressão é a que fica. É claro que você tem toda a motivação de chegar a um clube novo e querer mostrar para que veio. Foram duas situações diferentes. No Botafogo cheguei como mais um, desacreditado, construí dia-a-dia minha casinha, como se diz. E no São Paulo já vim com um nome. Mas mesmo assim com muita vontade de poder reconstruir minha casa, que tinha deixado meio pronta aqui no Brasil. E depois que se faz uma boa apresentação nos primeiros jogos, é dar seqüência ao trabalho.

Terra - E por que essa queda de produção, tanto do time do São Paulo como de você mesmo?
André Lima - Eu não jogo sozinho, né? Infelizmente eu não posso pegar a bola e sair correndo até o gol. É claro que o time depende de mim e do Borges para fazer os gols. Somos os atacantes. Mas me cobro todos os dias, cada treino, e a gente, no começo, não conseguia montar um time, dar uma seqüência e só agora conseguimos. Quando acabou a janela de transferências, Seleção, Olimpíada, o São Paulo vem conseguindo repetir em dois, três jogos a mesma formação e engrenou. E também por conta da minha adaptação. São Paulo é uma cidade nova para mim. Nunca conheci, nunca vim. Já estou aqui há dois meses. As coisas vão fluir normalmente. Tenho um contrato longo, até o meio do ano que vem, e tenho certeza que a torcida do São Paulo não vai se decepcionar.

Terra - Você sofreu muito com o peso de substituir o Adriano no ataque do São Paulo?
André Lima - Não sofri. Não me senti o substituto dele. Ele é insubstituível. O Adriano é o Adriano e o André Lima é o André Lima. Deixei bem claro que iria fazer meu trabalho, com humildade, tranqüilo, trabalhando e sempre ajudando minha equipe. É claro, todos compararam, mas cada um tem um jeito de pensar. A torcida ficou com uma expectativa muito grande por eu ter feito dois gols logo de cara, mas tem que ter paciência e é o que estou fazendo.

Terra - O que aconteceu na Alemanha? Teve dificuldades de adaptação com o futebol e com a própria cidade?
André Lima - É complicado. Ainda tenho o sonho de ir para a Europa. Mas tem um problema. Sou carioca. Gosto de praia, gosto de sol. E quando eu cheguei lá estava acabando o verão ou começando o inverno. Minha mulher estava grávida. Tudo que você pode imaginar de ruim eu peguei. Peguei -20ºC. Em um clube que tem uma estrutura imensa, mas não é um time grande, então as pessoas pensam pequeno. A cidade é maravilhosa, mas você quer sair e não pode porque não fala a língua. Você não sabe andar de carro na cidade, então você vive no hotel. Fiquei três meses em um hotel, com minha mulher grávida e minha filha. Minha filha queria brincar e você não sabe onde levar. Muitas coisas se juntaram e, quando você pensa que está acertando tudo, minha filhinha nasceu e teve pneumonia. Ficou 25 dias na UTI. Voltei para o Brasil e vi que eu tinha que ficar, para tomar conta das minhas filhas, de mim, não estava me sentindo bem. Além disso, é um futebol diferente, mais pancadaria, chutão para o alto. Bati o pé e vim mais por causa da minha filha do que por vontade própria. Mas não me arrependi. Penso duas vezes antes de fazer uma coisa.

Terra - Tem o sonho de voltar a defender um clube europeu ou quer primeiro se firmar no ataque do São Paulo?
André Lima - Quero que o São Paulo me compre, de coração. Sei que é complicado. É difícil o São Paulo comprar um jogador, ainda mais pagando em euro. Mas confesso que peguei uma paixão muito grande apesar de não ser uma cidade de praia, mas temos uma piscina aqui e posso ir até Santos. Me apaixonei por São Paulo. Tirei todas as má impressões que eu tinha daqui. Mas não depende só de mim. Também tenho sonho de jogar na Espanha. Nenhum clube em específico, mas quero ir para lá. Vou buscar meus objetivos, mas a princípio quero me firmar no São Paulo. Mas até julho tem muita coisa pela frente. Até dá para o São Paulo juntar um dinheiro para me comprar.

Terra - Já sabemos o que o Rogério Ceni representa para a torcida são-paulina, mas e para os jogadores?
André Lima - Gosto muito dele. É um cara sincero, um líder. É uma marca do São Paulo. Não tenho nada a reclamar dele, mas sim agradecer. O que o Rogério representa é a história. Para o elenco, particularmente para mim, é um exemplo. É uma história bonita e sincera. Já teve propostas de outros clubes e preferiu ficar. Eu já chamo ele de patrão, mas presidente eu não sei. Pode até ser, mas acho difícil chegar à presidência.
Terra - Sobre o Brasileiro, há algumas rodadas ninguém imaginava que o São Paulo brigaria pelo título. Em algum momento o elenco tricolor deixou de acreditar?
André Lima - Sempre fui contra isso. Enquanto não bater o martelo que o São Paulo está morto, a gente vai brigar e é o que está acontecendo. Tem muitos jogos ainda. Muitos pontos a serem disputados e muitos clubes que podem vencer o Palmeiras, o Flamengo, o Cruzeiro... Enquanto houver esperança, o São Paulo vai brigar.

Terra - Você é o atacante que o São Paulo procurava?
André Lima Se o São Paulo foi atrás de mim, é porque estava precisando e achou que eu seria a pessoa certa para a função. É como disse, não me comparem ao Adriano, não tenho o mesmo estilo de futebol dele, não ganho o mesmo salário que ele, mas raça e vontade eu tenho. Sei fazer gol, já mostrei isso. É questão de tempo. Estou me adaptando. Me dê confiança que eu vou e uma hora as coisas vão sair, como saiu no Botafogo e em outros time que joguei.

Terra - O Rogério Ceni chegou a dizer que a mentalidade da diretoria do São Paulo havia mudado, já que nesta temporada o clube arriscou em contratações de jogadores já renomados, como Carlos Alberto, Fábio Santos e o próprio Adriano. Concorda com o goleiro?
André Lima - Não sei, porque não estava ali. Pelo que vi, o São Paulo contratou Adriano, Carlos Alberto e Fábio Santos e eles deram 380 problemas e outros como Mineiro, Josué, Danilo só deram frutos. É claro que são excelentes jogadores, mas acho que vai da cabeça e do que o Juvenal (Juvêncio, presidente) está pensando. Se quiser contratar o Ronaldo, o Ronaldinho, ele contrata, mas também pode apostar em jogadores desconhecidos. O importante é somar, independente da ocasião.

Terra - Incomoda o elenco quando surgem boatos de que Muricy Ramalho vai deixar o clube, que possui propostas milionárias? Isso chega a afetar o grupo?
André Lima - É natural para nós. Nossa vida é essa. Acontece com o jogador e acontece com o técnico. Cheguei em julho e poderia ter ido embora, mas não quis. O importante é a sinceridade. Sempre que tem boatos ele chega e fala que não vai. A opinião dele é a que vale para nós. Tenho certeza que se ele for embora vai comunicar a gente. Mas nós ficamos chateados, porque está fazendo uma história maravilhosa. Isso é normal no futebol.

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