por Wender


Torcer é um ato de fé.

Por wenderpeixoto   5/Ago/2013 17:05 678 57,9% 42,1%


“Nesse momento, o que eu queria mesmo era ser torcedor do Fluminense”. Frase dita por um jornalista paulista famoso em 2009, contagiado pela saga da torcida do Fluminense que se engajou para salvar o time.

Naquele ano, tivemos um paralelo na história com o momento que atravessamos agora. O Fluminense passou por uma situação que é o mesmo filme reprisado no São Paulo para o torcedor. Reformulações em sequência nos anos anteriores. Contratações de baciada. A diretoria incompetente fez contratações estúpidas. Foram vinte e um jogadores entre desconhecidos e rejeitados. Trocas constantes de técnicos. A facção da torcida deles radicalizou e agrediu jogadores. Eles tinham o Fred chamado de mercenário, pois não estava rendendo. O atacante ficou sem jogar por três meses devido a contusões. Muitos devem se lembrar. O time e elenco eram fracos. De bom, aquele time tinha somente Fred, Conca e Mariano. A defesa era fraca e os volantes também.

O técnico Cuca foi contratado na base do desespero e disse em uma entrevista:
- Quando um clube chega na situação atual, somente a torcida tira. A única coisa que pode levantar o nosso moral agora é a torcida. É a única coisa.
De repente, aquele time desacreditado uniu-se aos torcedores em um instante de sobrevivência, quando notaram que o poço era um abismo sem fundo. A torcida ovacionou o time na chegada ao aeroporto após um jogo pelo campeonato brasileiro e uma energia extraída do penúltimo suspiro selou o pacto por um milagre. Todos conhecem a história e não sou simpatizante do clube carioca para ficar detalhando. Quando o campeonato acabou Fred disse:
- Se o torcedor tivesse nos abandonado, a segunda divisão era certa.

Citei o caso do Fluminense para exemplificar algo que realmente aconteceu, mas há outros times que superaram os momentos aterrorizantes de agonia. Além de que, é um clube bem menor que o nosso e devem o pagamento de uma série B. Lembro-me também do Internacional em 2002 e do Atlético MG em 2011, entre outros. Nesses casos a ressurreição do time passou por um engajamento da torcida, unida. Quero chegar ao ponto de dizer que raramente passamos por isto no Morumbi, porém temos alguns feitos memoráveis do nosso time e podemos usar para nos tirar da atual situação.

Em 1990, um time desacreditado e quase rebaixado no campeonato Paulista arrancou para um vice-campeonato brasileiro. Em 2008, vi uma arrancada inesperada rumo a um título inimaginável de se conquistar. Em 2013, também presenciamos algo histórico. Quando todos já nos tinham eliminado, 50.000 guardiões lotaram o Morumbi e empurraram o time para impedir um dos maiores vexames, que seria sair na primeira fase de uma Libertadores. O sentimento que moveu aqueles 50.000 era o de encorajar o time, de acreditar no impossível, mas principalmente não permitir que uma vergonha acontecesse.

Torcer é um ato de fé. Torcer é sofrer. Torcer é acreditar naquilo que não se vê. Torcer é simplesmente amar. Sim, é praticamente uma religião. Simpatizar somente, não adianta. É a força de uma torcida que empurra times para conquistas. Time sem torcida presente, pouco vence. Time sem torcida presente perde o fator casa. Hoje, além de o time estar fraco, o Morumbi perdeu a aura de defensor do time por estar vazio. Acreditem sim, time fraco sem fator casa, cai! Temos que transformar o Morumbi em nosso Santuário do time da fé e inferno para os adversários. Se temos o time da fé, somos a torcida da fé. O recado do #morumbizero já foi dado. Agora precisam de nós. Em suma, nós precisamos de nós.

Não importa se o Juvenal usará uma arrancada do time politicamente. A imagem da atual gestão já foi à lama e não se recuperará. Não há fato mais constrangedor para o presidente ver o time que ele montou, lutar para não ser rebaixado. Não podemos nos passar por omissos na situação atual. Eu particularmente, não quero ver o clube do meu coração cair e depois ser aterrorizado por minha consciência me cobrando, dizendo que não fiz nada pra apoiar. Todos nós criticamos a equipe, os jogadores e a diretoria. Porém, chegou a hora do nosso choque. Será a torcida que devolverá o ímpeto de coragem a esses jogadores e carregará esse time.

O São Paulo hoje é um ente querido a quem amamos, mas está adoecido num hospital. Ele nos causou decepções amargas recentemente, nos entristeceu. Entretanto, seria correto deixá-lo na solidão do leito de morte?
Recentemente demos um gelo, nos afastamos, demonstramos a nossa insatisfação quanto ao sujeito familiar. Mas, na iminência de acontecer uma tragédia, chegou a hora da família inteira se unir com todos os recursos disponíveis para salva-lo. São em momentos como esse que as diferenças não podem superar a preocupação maior.

O time está debilitado e sem confiança. Já protestamos. Já trocaram de técnico. Jogadores chegaram e saíram. Até a diretoria foi mexida. Esquemas já foram tentados. Jovens e reservas foram escalados. A coisa não tem melhorado. Temos jogador frouxo no time, infelizmente. Todavia, são esses que estão e ficarão até o final do ano. Não adianta pedir contratação, não esperem por isto. Não virá ninguém. Se o Juvenal quer rebaixar o time, e parece mesmo isto, não permitiremos. Repito, o fator que carrega um time para conquistas ou algo mais é a torcida. Time com estádio vazio vence jogo. Time com estádio cheio vence campeonato. Time com estádio vazio cai. Time com estádio cheio não cai, devido ao fortalecimento do fator casa, que corresponde a metade ou dois terços dos pontos conquistados pelo clube mandante em competições.

Escapar do rebaixamento será a nossa conquista de 2013. Daqui pra frente, cada jogo do campeonato brasileiro será uma decisão. O São Paulo é o time da fé e nós seremos os guardiões da superação. Enviaremos vibrações positivas em cada partida. Por mais que não queiramos, temos que ovacionar cada jogador que entrar em campo, independentemente de quem seja. Cada um, irrestritamente. Se tiver que ser o Douglas, que seja. Até aos piores jogadores teremos que passar confiança. Luís Fabiano renovou o contrato até 2015. Vamos exaltá-lo para que seja um dos catalisadores da arrancada. Tenho certeza, creio que ele será um dos líderes em campo junto ao Rogério Ceni para puxar esse time.

OBS. O Clemente Rodrigues deve ser testado na lateral direita do time. Ele também é lateral direito e sem dúvida possui capacidade defensiva maior que Douglas e Lucas Farias. Reinaldo entrou muito bem na lateral esquerda e nesse momento não deve sair do time.
A quem interessar conferir como foi a recuperação do Fluminense, assistam os vídeos através dos links:
http://www.youtube.com/watch?v=2kKV5ZRbAIQ
http://www.youtube.com/watch?v=MorBTNaS3F4

“Um time pode jogar descalço, pode jogar de pé no chão, só não pode jogar sem alma”.
A frase de Nelson Rodriguez é significativa e se aplica, pois nós seremos a alma desse time no campeonato brasileiro. Muitos e incontáveis são os que almejam o nosso rebaixamento. Chegou a hora de mostrarmos a nossa força e não permitir o sonho alheio. Chegou a hora de revolucionar essa imagem negativa de torcida simpatizante, de final.
“Nesse momento, o que eu queria mesmo era ser torcedor do São Paulo”, dirá alguém não SãoPaulino até o findar desse ano.

Saudações à torcida da fé.
Peixoto.



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