por Wender


O atraso instalado na gestão de futebol do São Paulo Futebol Clube.

Por wenderpeixoto   14/Mai/2013 22:26 1695 56,6% 43,4%


Modernidade, inovação e pioneirismo são palavras que não ouvimos a muito tempo quando se refere ao tricampeão mundial. Um clube notabilizado por sua forma diferenciada de ser, que atualmente tem praticado somente o retrocesso no que diz respeito à gestão de futebol.

O departamento de futebol de um clube é onde se desenvolve o trabalho para gerir a carreira dos jogadores, contratos, oportunidades de negócio para compra/venda, solucionar deficiências do elenco, planejamento do ano seguinte, etc. São muitos detalhes. Isto significa ser o coração do clube, onde deve haver somente pessoas preparadas para tal.

Atualmente vemos alguns clubes como Atlético MG, Fluminense, Cruzeiro, Botafogo e muitos outros já implementando, a alguns anos, a profissionalização da gestão no futebol. São gestores gabaritados do mercado, sendo remunerados para gerir seres, ações e situações. A complexidade envolvida e o orçamento milionário movimentado exigem pessoas preparadas à frente do futebol de um clube.

O São Paulo não precisa contratar alguém de fora para essa função. Temos pessoal extremamente qualificado como o Zetti, Marco Aurélio Cunha. Esse que poderá ser o presidente e atualizar o estado degradado que o clube se encontra.

Outros clubes podem até possuir um diretor de futebol não remunerado, mas são preparados para a função, gostam e sabem o que fazem. Vemos isso no São Paulo? Não. Já teve isso? Sim. Por que não existe mais?

Mexendo em time que se ganha.

A partir de 2009 vimos um clube ser transformado aos poucos. O presidente foi descendo de seu posto, assumindo o futebol cada vez mais. Passou a praticar seguidas ingerências na diretoria de futebol, exigindo sua vontade ao seu estilo. Em 2010 foi o ano da partilha, quando um bom time, com bom técnico foi desmontado após uma derrota na semifinal da Libertadores. As ações começaram a ser tomadas exclusivamente pelo presidente sem dar ouvidos ao seu diretor de futebol, sequer.

Todos sabem a função do Milton Cruz dentro do clube. Ele vasculha o mercado do futebol na busca por oportunidades de contratações. Em outras épocas ele possuía autonomia para falar em nome do clube, deixando tudo encaminhado. Hoje ele é um mero auxiliar do Juvenal Juvêncio, respondendo diretamente a ele, em um link na cadeia de hierarquia. Todo o trabalho desenvolvido, até o caderninho, é passado ao Juvenal.

O Adalberto Baptista é o diretor de futebol, mas passou a ser somente uma figura decorativa títere. Um secretário que negocia os jogadores a mando do presidente. Sim, quem escolhe e manda contratar é o presidente. O Adalberto somente fecha o negócio e pousa para a foto na apresentação do recém contratado. Foi assim com o Ganso e vários outros.

O Milton Cruz tem sido incompetente nas informações passadas ao Juvenal? Não. É o presidente quem avalia os nomes, escolhendo qual lhe afeiçoa mais. É nesse ponto que reside o erro maior desses quatro anos, quando se viu a vinda de 56 jogadores. As dicas do Milton Cruz são estritamente sobre atletas de baixo custo, para chegarem e resolver deficiências pontuais do elenco. Mas esse modelo de contratação cirúrgica somente proporciona o resultado esperado quando já se tem um time formado e entrosado. Eram os casos do quadriênio 2005 - 2008. Até o trabalho do Milton Cruz foi enquadrado à maneira do Juvenal.

O que vimos após 2009 foi uma sequência absurda de reformulações, com jogadores chegando a todo o momento, perdidos com mudanças de técnico, esquemas táticos, troca de companheiros. Nunca houve tempo hábil para se formar um conjunto de time convincente. Haja técnico.

Temos um presidente como diretor de futebol, na prática. Mas esse “diretor de futebol” tem agido seguidamente como torcedor. Ele manda contratar um jogador que, se não rende por N motivos, está fora no trimestre ou semestre seguinte. Repito, temos um torcedor no comando do clube. Quando ele se sente encurralado e pressionado traz alguns jogadores mais impactantes, não sempre produtivos. Tudo para segurar o ímpeto da torcida, arrebentando com os cofres ainda mais.

Vendo o São Paulo de hoje, direi isso com extrema dor na alma, lembra-me demais o amadorismo presenciado no Flamengo de anos anteriores. São os mesmos sintomas e características, com a diferença de termos sido mais eficazes nos pontos corridos. Tivemos equipes ligeiramente melhores sem atrasos de salário que o clube carioca. A cada ano a situação piora. Lembrando que o segundo semestre/2012 foi uma exceção, porque havia o Lucas e a chegada de um técnico melhor que os anteriores.

Não há mais planejamento algum. Não existe critério para se contratar 56 jogadores em quatro anos. Desses, 70% de dúvidas e puras apostas. Nesses quatro anos foram gastos, pasmem, R$ 218,7 milhões em contratações. O resultado disso é a configuração do oitavo clube mais endividado do Brasil, conforme mostrou uma recente reportagem da ESPN.

Estamos presenciando um modelo obsoleto de gestão da década de 80, quando o presidente centralizava e mandava em tudo que havia no clube, interferindo. A gestão moderna delega competências a profissionais preparados. Tudo na vida desgasta, deprecia e torna-se obsoleto. Isso ocorre com as pessoas, inclusive. Há um tempo para todas as coisas.

A única maneira de voltarmos a ser São Paulo Futebol Clube é parar tudo e recomeçar.

Abs.
Peixoto.



Comentários (2)

15/05/2013 21:29:04 wenderPeixoto

Muito obrigado Darius.

Abraço.

15/05/2013 10:45:54 Darius

Bellíssimo texto Wender, Parabéns!!!

Comentário

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